Artigos - Álvaro Pereira do Nascimento

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'Sou escravo de oficiais da Marinha': a grande revolta da marujada negra por direitos no período pós-abolição (Rio de Janeiro, 1880-1910). Este artigo insere a Revolta da Chibata na história das primeiras gerações de descendentes de ex-escravos no pós-abolição. Entende-se que aqueles homens viveram um processo de disputas acirradas com imigrantes, brancos pobres e com os próprios negros livres, nos variados ofícios e contratos de trabalho existentes à época. As Forças Armadas permitiam uma possibilidade de ascensão aos negros, mas também o disciplinamento com castigos corporais. Com base em diferentes fontes, o artigo descreve os problemas enfrentados e as conquistas alcançadas pelos negros - sobretudo os marinheiros, nas primeiras décadas do pós-abolição - e a própria Revolta da Chibata, partindo dos discursos deixados pelos líderes do movimento, oficiais e cronistas acerca do racismo, da escravidão e dos castigos corporais.
Trabalhadores negros e o 'paradigma da ausência': contribuições à História Social do Trabalho no Brasil. O artigo reabre o debate em torno do "paradigma da ausência" na produção historiográfica dos mundos do trabalho. Os historiadores que analisaram os trabalhadores pobres e o movimento operário raramente dialogaram com especialistas em escravidão. Mesmo quando investigam o século XX, pouco incluem sujeitos negros - mulheres, crianças, homens - em suas pesquisas. Foram os especialistas em escravidão e pós-abolição os que mais avançaram em direção ao debate e contribuíram para a visibilidade desses sujeitos históricos. O artigo aponta ainda os problemas trazidos por essa ausência e sugere alguns caminhos metodológicos de mudança.
O marinheiro negro Marcílio Dias: as muitas memórias de um cidadão exemplar. O artigo investiga a passagem de Marcílio Dias na Marinha de Guerra, desde seu recrutamento até sua morte na Batalha do Riachuelo, após dez anos de serviço militar. Analisa ainda como foi propagada a história de sua bravura na guerra, tornando-se uma memória reverenciada e lembrada pedagogicamente a estudantes civis e militares.
A revolta da chibata e seu centenário O artigo está dividido em três partes. Na primeira entenderemos os marinheiros na passagem do século XIX para o século XX, percebendo o cotidiano a bordo e uma sumária história da violência nos navios. Logo em seguida, o leitor poderá ter contato com uma resumida narrativa da revolta de 1910. Finalmente, discutiremos seu legado social e histórico, analisando o uso da sua memória e as dificuldades por que passou seu maior líder, o marinheiro negro João Cândido Felisberto.
Por tantos mares: trajetória de pesquisa e reflexões na rota da revolta da chibata. O artigo descreve minha trajetória de pesquisa sobre a Revolta da Chibata na pós-graduação, arquivos e bibliotecas nos últimos quinze anos. Apresento meus primeiros objetivos, os problemas enfrentados e as mudanças nas rotas do trabalho. Explico a opção pelos referencias teóricos e metodológicos e como eles me ajudaram no trabalho. Termino discutindo a relação entre a Revolta da Chibata e o movimento dos marinheiros amotinados em 1964.
Notas Sobre Diáspora Africana e História da África. Este artigo contribui para o ensino de História da África nas escolas dos Ensinos Médio e fundamental. Através de diferentes materiais de pesquisa, ele procura descrever parte dos diversos deslocamentos dos povos africanos pelo mundo, analisa o conceito de diáspora e aponta para a construção de uma imagem negativa da África.
Mil horas para quê? A prática como componente curricular na Licenciatura em História. O artigo analisa as resoluções governamentais que reorientam os cursos de licenciatura, descreve a realidade existente até aquele momento e as dificuldades encontradas para efetivá-las e finalmente sugere maior diálogo dos historiadores das áreas mais consagradas com a produção acadêmica dos seus colegas do Ensino de História.
Do cativeiro ao mar: escravos na Marinha de Guerra O artigo procura revelar que, ao longo do século XIX, a Marinha de Guerra Brasileira era um dos caminhos seguidos pelos escravos fugidos para alcançar a liberdade. Já existem algumas obras que tratam dos escravos emancipados para a guerra do Paraguai. Contudo, temos somente alguns poucos comentários na historiografia sobre os escravos não-emancipados — que fugiam e burlavam os aparato policial e de recrutamento militar ao longo do século XIX. Analisei os ofícios trocados entre o chefe de polícia da Corte e o encarregado do quartel general da Marinha, que revelaram as falhas do alistamento militar provocadas pela necessidade de homens para a Armada e pelo interesse do aparato policial em se livrar daqueles tidos como vadios, mendigos, menores, etc. Além disso, em momentos de guerra, crises políticas e revoltas, os escravos poderiam ter variadas interpretações da palavra liberdade. No processo de independência, na Sabinada, na guerra Paraguai e em outros momentos de crise, os escravos fugiram, enganaram recrutadores, assumiram seus postos no front em forças legalistas ou separatistas e alcançaram a liberdade. Todavia, essa mesma liberdade não estaria garantida, se eles não lutassem com unhas e dentes pela causa da guerra. O que revela um sentido político não ligado à Força Armada que participavam, mas aos seus próprios interesses.

Atividades

O seminário funciona como laboratório de preparação de projetos e monografias que são tomados no final do período como objeto de avaliação.
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