Artigos - Paulo Roberto Ribeiro Fontes

Título Descrição Link
As falas de Jerônimo: Trabalhadores, sindicatos e a historiografia da ditadura militar brasileira. Este artigo tem como objetivo apresentar questões e reflexões sobre a produção historiográfica referente ao estudo dos trabalhadores e do movimento sindical brasileiro durante a Ditadura Militar (1964-1985), à luz da literatura sobre o período autoritário que abarca a chamada “história do tempo presente”. Procura-se chamar a atenção para um certo apagamento da presença dos trabalhadores e suas organizações representativas de classe verificada no conjunto de análises mais recentes sobre o período. Dessa forma, ao revelar as ações das classes trabalhadoras e expor os dilemas do movimento sindical frente à política trabalhista elaborada a partir do governo do marechal Castelo Branco (1964-1967) e à repressão policial-militar, este estudo busca contribuir para uma melhor compreensão do cenário político instaurado em 1964. Ademais, a segunda parte do artigo apresenta um conjunto de temáticas abordadas nos estudos mais recentes realizados sobre trabalho, trabalhadores e sindicalismo na Ditadura Militar, apontando ainda para determinadas lacunas e desafios historiográficos.
Entrevista com Michael Hall Michael Hall tem sido, nas últimas quatro décadas, um dos principais protagonistas da historiografia sobre o trabalho no Brasil. Nascido nos Estados Unidos em 1941, estudou nas Universidades de Stanford e Columbia, onde se especializou em história brasileira. Sua tese de doutorado, defendida no final dos anos 1960, tornou-se um dos textos fundamentais sobre a imigração italiana em São Paulo. Em 1975 transferiu-se definitivamente para o Brasil e passou a lecionar na recém-criada Universidade Estadual de Campinas. Na Unicamp, foi uma das figuras centrais na construção do Departamento de História. Foi um dos fundadores do Arquivo Edgard Leuenroth (AEL), o maior arquivo especializado em história do trabalho na América Latina, e até hoje é um dos mais profundos conhecedores do acervo dessa instituição. Teve ainda importância fundamental na montagem da Biblioteca do Instituto e Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e na sua constituição como uma das principais bibliotecas de referência para pesquisa na área de ciências sociais e humanidades no país. Especialista no estudo do anarquismo e do movimento operário na Primeira República, Michael Hall é um dos responsáveis pela difusão no Brasil da influente obra de E. P. Thompson e da historiografia social anglo-saxã. Desde os anos 1980, tornou-se uma espécie de “embaixador” da história social do trabalho brasileira, atuando como correspondente local de algumas das mais importantes revistas internacionais neste campo e sendo uma referência obrigatória para muitos pesquisadores estrangeiros em visita ao Brasil. Orientador de diferentes gerações de historiadores, Michael sempre foi uma referência para seus alunos e colegas. O humor e ironia ferina, mas também as generosas e eruditas sugestões bibliográficas e dicas de fontes e acervos, invariavelmente redigidas em seu indefectível bloco de anotações de folhas amarelas, estão entre as melhores e carinhosas lembranças de todos(as) aqueles(as) que tiveram o privilégio de compartilhar da convivência com Michael ao longo desses anos. Aposentado desde 2012, Michael continua ativo na pesquisa, orientação e participação em bancas de defesa de mestrado e doutorado. No momento prepara um livro reunindo ensaios e artigos antigos e suas pesquisas mais recentes.
Trabalhadores e Ditadura Os cinquenta anos do golpe de 1964 têm assistido a um verdadeiro boom de publicações e estudos acadêmicos sobre a Ditadura Civil-Militar. Surpreendentemente, no entanto, os trabalhadores, personagens decisivos naquela conjuntura, têm sido razoavelmente negligenciados nas análises sobre o período. Nos numerosos eventos e atividades sobre o cinquentenário do golpe esta ausência é notável. Contudo, a presença pública e a luta por direitos, crescentes desde o final do Estado Novo, atingiriam um ápice justamente no início da década de 1960, mobilizando sindicatos, partidos, associações de moradores e outras formas de associação, como clubes de bairros e grêmios culturais. No campo e na cidade, os trabalhadores estavam no centro do cenário político.
Trabalhadores e associativismo urbano no governo Jânio Quadros em São Paulo (1953-1954) O artigo analisa a ação das organizações populares com base territorial, em especial aquelas vinculadas às demandas da população dos bairros operários, durante o curto governo municipal de Jânio Quadros na cidade de São Paulo, político eleito com forte apoio desses movimentos. Partimos, para isso, de uma análise ainda inicial de um corpus documental composto por mais de 250 processos, reunindo cartas, pedidos, petições, solicitações e abaixo-assinados encaminhados por Sociedades Amigos de Bairro ao gabinete do prefeito de São Paulo durante a gestão de Quadros nos anos de 1953 e 1954. Nesse sentido, o artigo procura avançar na compreensão do sistema político populista, ressaltando o papel da dimensão urbana na construção das estratégias de trabalhadores e lideranças políticas.
Brazilian Labour History - Recent Trends and Perspepctives: An Introduction. In recent years, Brazilian labour and working-class history has made great strides. New generations of historians, both in Brazil and abroad, have extended the scope of the Field to include new and little explored areas, such as gender, ethnicity, informal labour, and the connections between forced and free work. This expanding scholarship has also shed new light on more standard topics, such as strikes, unionism, political participation, and the role of labour policies and labour law in redefining workers strategies of struggle for their rights, as well as in shaping new understandings on working-class citizenship. They have also expanded the geographical scope of the studies, originally confined to the main industrial areas (particularly, São Paulo and Rio de Janeiro), offering a much broader and complex picture of the regional diversity that characterises a semi continental country marked by huge inequalities and by coexistence or even integration between archaic and modern productive processes and labour relations.
Ruínas industriais e memória em uma ?favela fabril? carioca. Este artigo tem como objetivo analisar as intricadas relações entre memória e patrimônio industrial, a partir da análise dos depoimentos de Lauro Oliveira Rios e Cândida Maria Privado, cujas trajetórias de vida e trabalho estão ligadas às edifi cações da fábrica de leite da Cooperativa Central dos Produtores de Leite (CCPL), na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Mundo urbano e história do trabalho O mundo do trabalho nos dois últimos séculos tem uma relação umbilical com a formação da cidade moderna e com os múltiplos processos de urbanização engendrados pelo desenvolvimento do capitalismo industrial. Esta estreita conexão entre os trabalhadores e a dimensão urbana não escapou a muitos dos pioneiros dos estudos sobre o trabalho no século XIX. Friedrich Engels, por exemplo, em seu seminal A situação da classe trabalhadora na Inglaterra (1845) deu uma especial ênfase às relações entre a formação das cidades fabris e a emergência do proletariado industrial. Apesar disso, durante muito tempo a relação entre os mundos do trabalho e o mundo urbano foi assunto negligenciado ou secundarizado nas análises sobre a história dos trabalhadores. Como sabemos, a partir dos anos 1960, a chamada nova história social voltou suas atenções para a vida e o cotidiano dos trabalhadores para além das oficinas, fábricas e locais de trabalho em geral.
Esportes e trabalhadores: apresentação Se até alguns anos atrás era comum a constatação da pouca atenção dada no Brasil pelas Ciências Sociais e História ao esporte como objeto de estudo, este quadro vem mudando rápida e radicalmente. Se os estudos pioneiros dos antropólogos Roberto da Matta, José Sérgio Leite Lopes e Simoni Lahud Guedes abriram o caminho para o interesse acadêmico, foi a partir da década de 1990 que o esporte e, em particular o futebol, estabeleceu-se definitivamente como tema de investigação sistemática. Com vocação interdisciplinar, os estudos sobre os esportes têm resultado em dissertações e teses vinculadas a variados departamentos e instituições universitárias e a publicação de livros, artigos e mesmo revistas especializadas sobre os esportes no país já é razoavelmente significativa.
História Social do Trabalho, História Pública A questão do ativismo político esteve no centro da formação da história social do trabalho como disciplina acadêmica, permanecendo fulcral para suas reorientações teóricas e agendas de pesquisa ao longo do tempo. Não custa lembrar que os primeiros mentores da história social do trabalho, como a conhecemos hoje, estavam muitas vezes fora da universidade. A formação da classe operária inglesa, de E. P. Thompson, obra fundamental dessa área de estudos, não surgiu como um trabalho acadêmico stricto sensu, pois foi originalmente concebida para um público de estudantes adultos de cursos noturnos dedicados à classe operária. O campo da história social do trabalho desenvolveu-se nas décadas de 1960 e 1970 em grande medida graças a iniciativas como o History Workshop , no Reino Unido, e o Dig Where you Stand , na Suécia, entre outros.
O populismo visto da periferia: adhemarismo e janismo nos bairros da Mooca e São Miguel Paulista, 1947-1953 Este artigo procura compreender a emergência das lideranças políticas de Adhemar de Barros e Jânio Quadros e suas relações com uma sofisticada rede de sociabilidade locais, bem como a montagem de máquinas políticas que forneceram a base para a constituição de suas mitologias políticas. Para isso, analisamos o adhemarismo e o janismo em dois bairros populares da capital paulista: Mooca e São Miguel Paulista.
Museu e História do Trabalho: Algumas experiências internacionais. Embora provavelmente mais disseminado e diversificado do que nunca, o trabalho, na era da chamada globalização, além de precarizado, tem sido desvalorizado e negligenciado como ele mento simbólico fundamental na construção das narrativas históricas e identidades coletivas, tanto em âmbito nacional quanto internacional. O mundo do trabalho e a ação dos trabalhadores são cruciais para o entendimento da história de qualquer país, mas, em geral, tal história está ausente ou largamente subestimada nos museus históricos nacionais.
Classe e linguagem: notas sobre o debate em torno de Languages of class de Stedman Jones. A partir da análise da obra Linguagens de Classe do historiador inglês Gareth Stedman Jones e da polêmica por ela provocada (em especial as críticas de Dorothy Thompson), este artigo examina os debates em torno da abordagem proposta pela "guinada linguística" no âmbito da história social.
Sair da sala de aula e ouvir os trabalhadores: Entrevista com Eddie Webster Eddie Webster é um adversário corajoso da direita. Apesar da cor da sua pele, branca, ele optou por ficar ao lado daqueles que eram perseguidos e segregados pelo regime do apartheid (1948-1994). Isso lhe valeu uma temporada na prisão. E, ainda, uma outra fora do seu país, a África do Sul. Autor de importantes livros sobre os trabalhadores e a industrialização na África do Sul, Webster é hoje diretor do Departamento de Sociologia da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo, e mostra-se profundamente entusiasmado com as possibilidades abertas pela democratização e pela pluralidade etno-cultural, representadas na eleição de Nelson Mandela para presidente em 1994. Webster é também um daqueles sociólogos particularmente preocupados e sensíveis com a história do trabalho. Não obstante as gritantes diferenças existentes entre o caso brasileiro e o sul-africano, paralelos nada desinteressantes podem ser estabelecidos entre os processos de democratização de ambos os países e a reemergência da classe trabalhadora durante os anos 70 e 80, aqui e lá.
A História feita de greves, excluídos e mulheres: Entrevista com Michelle Perrot Nesta entrevista a autora discorre sobre as relações entre classes sociais e gêneros, sobre as influências de Foucault em sua obra, sobre a atualidade das greves como forma de luta e sobre a participação da mulher no sindicalismo da virada do século.
A Baianada: Lavoro, Migrazioni e Identittà a San Paolo A partire dagli anni quaranta del Novecento, la città di San Paolo in Brasile e i municipi contigui (la cosiddetta regione metropolitana di San Paolo o Grande San Paolo) furono teatro di una straordinaria espansione urbana e industriale che aveva pochi eguali al mondo. Rapidamente emersero e si acuirono i problemi legati alla speculazione edilizia e all’insufficienza delle infrastrutture urbane (trasporti, reti fognarie, strade, scuole, ospedali, ecc.). Il ritmo accelerato dell’industrializzazione e la diversificazione del terziario si tradussero in una significativa trasformazione del mercato del lavoro. Questi fenomeni incisero fortemente sulla vita dei lavoratori, toccati dalla grande mobilità geografica, l’indigenza, la competizione, le divisioni e le divergenze all’interno della classe operaia. Un intenso fenomeno migratorio dalle zone rurali (in particolare dall’interno degli stati di San Paolo, Minas Gerais e Nordest) alterò profondamente la composizione sociale della classe operaia e determinò mutamenti significativi in campo politico e culturale.
The cradle of Brazilian soccer: Working-class history and the "Futebol de várzea". Thousands of fans drive to a soccer stadium, a very common scene every Sunday in soccer-mad São Paulo. Brazilians are proud to be five-time World Champions, to be the home of Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo and many other skillful players, who earned Brazil the epithet as the land of the kings of the “beautiful game.”
Sensei Angela de Castro Gomes: uma breve homenagem à Professora Emérita do CPDOC/FGV Senhoras e senhores desta distinta audiência, Boa noite a todos e todas! É uma enorme alegria ter a honra de estar presente neste evento e prestar esta breve e comovida homenagem à professora emérita Angela de Castro Gomes. Com sinceridade, sei que muitos aqui mereceriam muito mais do que eu o privilégio de estar neste púlpito hoje. Vários dos aqui presentes a conhecem há décadas e tiveram a satisfação de conviver por muito mais tempo do que eu com Angela, seja como alunos(as), como colegas de departamento, de pesquisas ou mesmo como amigos. Assim, agradeço de coração aos meus colegas da Congregação do CPDOC que - numa atitude de coragem e justiça - conferiram o título de professoras eméritas a Lucia Lippi e Angela de Castro Gomes e me concederam a honraria de representá-los nesta mesa.

Atividades

O seminário funciona como laboratório de preparação de projetos e monografias que são tomados no final do período como objeto de avaliação.
-